A Doutrina Reformada da Predestinação
por
Loraine Boettner D.D.a
Copyright 1932
by
Loraine Boettner
Capítulo 9 (cont.)
Apêndice: "Calvinismo versus Arminianismo"
O material a seguir extraído de "Romanos: Uma Apresentação Interpretativa" [páginas 144 - 147] escrito por David N. Steel e Curtis C. Thomas, contrasta os Cinco Pontos do Arminianismo com os Cinco Pontos do Calvinismo, da maneira mais clara e concisa que já vimos em qualquer lugar. Também pode ser encontrado no livreto, "Os Cinco Pontos do Calvinismo" [páginas 16 - 19]. Ambos livros foram publicados pela "The Presbyterian and Reformed Publishing Co., Philadelphia (1963. Os senhores Steele e Thomas foram pastores por vários anos de uma Igreja Batista do sul, em Little Rock, Arkansas.
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OS "CINCO PONTOS" DO
ARMINIANISMO
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OS "CINCO PONTOS" DO
CALVINISMO
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1. Livre Arbítrio ou Capacidade Humana Embora a natureza humana tenha sido seriamente afetada
pela queda, o homem não foi deixado numa condição
de abandono espiritual. Deus capacita graciosamente cada pecador a arrepender-se
e crer, mas Ele não interfere na liberdade humana. Cada pecador
possui livre arbítrio, e seu destino eterno depende de como ele
o utiliza. A liberdade do homem consiste em sua capacidade de escolher
o bem ao invés do mal no que se refere a assuntos espirituais;
sua vontade não é escrava de sua natureza pecadora. O pecador
tem o poder de ou cooperar com o Espírito de Deus e ser regenerado
ou resistir à graça de Deus e perecer. O pecador perdido
necessita da assistência do Espírito, mas ele não
tem de ser regenerado pelo Espírito antes que possa crer, pois
a fé é um ato do homem e precede no novo nascimento. A Fé
é presente que o pecador dá para Deus; é a contribuição
do homem para a salvação. |
1. Incapacidade Total ou Total Depravação Por causa da queda, o homem é incapaz por si mesmo de crer no evangelho para a sua salvação. O pecador está morto, surdo e cego para as coisas de Deus; seu coração é injusto e desesperadamente corrupto. Sua vontade não é livre, está unida à sua natureza má, portanto ele não será - na realidade ele não pode - escolher o bem ao invés do mal, no aspecto espiritual. Consequentemente, é necessário mais que a assistência do Espírito Santo para trazer um pecador até Cristo - é necessário regeneração, pela qual o Espírito Santo faz com que o pecador viva e dá-lhe uma nova natureza. Fé não é algo com que o homem contribui para a salvação, mas em si mesma é parte do dom de Deus para a salvação - é dádiva de Deus para o pecador, não um presente do pecador para Deus. |
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2. Eleição Condicional A escolha de Deus de certos indivíduos para a salvação antes da fundação do mundo foi baseada na sua visão antecipada de que eles poderiam responder à sua chamada. Ele selecionou somente aqueles que Ele sabia que creriam livremente no Evangelho. Eleição portanto foi determinada por ou condicionada ao que o homem faria. A fé que Deus anteviu e na qual Ele baseou a Sua escolha não foi dada ao pecador por Deus (ela não foi criada pelo poder regenerador do Espírito Santo) mas resultou somente da vontade do homem. Ela foi deixada totalmente à escolha do homem, quanto a em quem crer; e portanto quanto a quem deveria ser eleito para a salvação. Deus escolheu aqueles que Ele sabia, através da sua própria vontade, que escolheriam a Cristo. Assim, o pecador escolhendo a Cristo; e não Cristo escolhendo o pecador, é em última instância causa da salvação. |
2. Eleição Incondicional O fato de Deus escolher - antes da fundação do mundo - certos indivíduos para a salvação, repousa somente sobre a Sua soberana vontade. Sua escolha, de certos pecadores em particular, não foi baseada em nenhuma resposta ou obediência da parte deles, tal como fé, arrependimento e etc. Ao contrário, Deus concede a fé e o arrependimento a cada indivíduo a quem Ele escolhe. Tais atos são o resultado, não a causa da escolha de Deus. A eleição portanto não foi determinada ou condicionada por nenhuma qualidade virtuosa ou ato antevisto do homem. Àqueles a quem Deus soberanamente elegeu Ele traz através do poder do Espírito Santo à uma pronta aceitação de Cristo. Assim a escolha de Deus quanto ao pecador, é em última instância a causa da salvação. |
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3. Redenção Universal ou Expiação Geral A obra redentora de Cristo possibilitou a cada um ser salvo, mas na realidade não assegurou a salvação de ninguém. Embora Cristo morreu por todos, somente aqueles que crêem nEle estão salvos. A Sua morte possibilitou a Deus perdoar os pecadores na condição de que eles cressem, mas na realidade não colocou à parte o pecado de ninguém. A Redenção de Cristo se torna efetiva somente se o homem escolher aceitá-la. |
3. Redenção Pessoal ou Expiação Limitada A obra redentora de Cristo foi intencionada para salvar os eleitos somente; e realmente assegurou a sua salvação. Sua morte foi um pagamento substitutivo das faltas do pecado no lugar de certos pecadores em particular. Adicionalmente a colocar de lado os pecados do Seu povo, a redenção de Cristo assegurou tudo o que fosse necessário par a sua salvação, incluindo a fé, que os une a Ele. O dom da fé é infalívelmente dispensado pelo Espírito Santo a todos por quem Cristo morreu, portando assegurando a sua salvação. |
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4. A Resistência ao Espírito Santo é Possível O Espírito Santo chama "internamente" a todos aquels que são chamados "externamente" pelo convite do Evangelho; Ele faz tudo o quanto Ele pode para trazer cada pecador à salvação. Mas tanto quanto o homem é livre, ele pode resistir com sucesso à chamada do Espírito Santo. O Espírito Santo não pode regererar o pecador até que este creia; a fé (que é a contribuição do homem) precede e faz possível o novo nascimento. Assim, o livre arbítrio do homem limita o Espírito Santo na aplicação, na efetivação da obra salvadora de Cristo. O Espírito Santo somente pode trazer até Cristo aqueles que permitam que Ele possa vir até eles. Até que o pecador responda, o Espírito não pode dar a vida. A graça de Deus, portanto, não é invencível. Ela pode, e muitas encontra, resistência por parte do homem; e é relegada por ele. |
4. A Graça Eficaz; ou a Graça Irresistível Adicionalmente à expansiva e geral chamada à salvação, que é feita a todos que ouvem a palavra do Evangelho, o Espírito Santo estende aos eleitos um convite especial que inevitavelmente os traz à salvação. O convite eterno (que é feito a todos sem distinção) pode ser, e invariavelmente o é, rejeitado; enquanto sempre resulte em conversão. Por intermédio deste convite especial, o Espírito Santo irrestivelmente traz os pecadores até Cristo. Ele não é limitado na Sua obra de aplicar a salvação à vontade do homem, nem é ele dependente da cooperação do homem para o Seu sucesso. O Espírito graciosamente faz com que o pecador eleito coopere, arrependa-se e venha pronta e livremente a Cristo. Graça de Deus. Portanto, é invencível, nunca falha na salvação daqueles que foram eleitos. |
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5. Caindo da Graça Aqueles que crêem e estão verdadeiramente
salvos não podem perder a sua salvação por haverem
falhado em manter a sua fé, etc. Todos Arminianos não têm
concordado neste ponto, alguns têm sustentado que os crentes estão
eternamente seguros em Cristo - que uma vez que um pecador é regenerado,
ele não pode nunca perder-se. |
5. Perseverança dos Santos Todos aqueles que são escolhidos por Deus, redimidos por Cristo, e a quem a fé foi dada pelo Espírito Santo estão salvos eternamente. Eles são mantidos na fé pelo poder de Deus Onipotente e assim perseverarão até o fim. |
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De Acordo com o Arminianismo: A Salvação é conseguida através dos esforços conjuntos de Deus (que toma a iniciativa) e do homem (que deve corresponder) - a resposta do homem sendo o fator determinante. Deus providenciou a salvação para todos, mas as suas provisões vêm a ser efetivas somente para aqueles que, através de seu livre arbítrio, "escolher" e "decidir" a cooperar com Ele e aceitar a Sua Graça. Neste ponto crucial, a vontade do homem tem uma parte decisiva; assim o homem, não Deus, determina quem será o recipiente do dom da salvação. |
De Acordo com o Calvinismo: A Salvação acontece através do poder supremo do Deus Triúno. O Pai escolhe um povo, o Filho morreu por eles, o Espírito Santo faz com que a morte de Cristo seja efetiva em trazer os eleitos à fé e ao arrependimento, destarte fazendo com que eles prontamente obedeçam ao Evangelho. Todo o processo (eleição, redenção e regeneração) é a obra de Deus e ocorre somente através da sua graça. Assim Deus, não o homem, determina quem será o recipiente do dom da salvação. |
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REJEITADA Este foi o sistema constante da "Remonstância" (embora os "cinco pontos" não estivessem originalmente assim ordenados). Foi submetido pelos Arminianos à Igreja da Holanda para adoção em 1610, mas foi rejeitado pelo Sínodo de Dort em 1619, nas bases de que não era Bíblico. |
REAFIRMADO Este sistema teológico foi reafirmado pelo Sínodo de Dort em 1619 como a doutrina da salvação contida nas Sagradas Escrituras. O sistema foi à época formulado em "cinco pontos" (em resposta aos "cinco pontos" submetidos pelos Arminianos) e desde então tem sido conhecido como "os cinco pontos do Calvinismo". |
Tradução livre: Eli Daniel da Silva elidaniel@zipmail.com.br