A Obra do Espírito Santo
por
Abraham Kuyper, D.D., LL.D
NOTA INTRODUTÓRIA
Pelo Prof. Benjamin B. Warfield, D.D., LL.
D
Do Seminário Teológico de Princeton
Felizmente não é mais necessário apresentar formalmente o Dr. Kuyper ao público religioso Americano. Um grande número dos seus notáveis ensaios apareceram nos últimos anos em nossos periódicos. Estes têm tido títulos como "Calvinismo na Arte", "Calvinismo, a Fonte e a Promessa das Nossas Liberdades Constitucionais", "Calvinismo e Revisão Confessional", "A Destruição das Fronteiras", "A Antítese entre Simbolismo e Revelação"; e apareceram nas páginas de publicações tais como "Pensamento Cristão", "Biblioteca Sacra", "Revisão Presbiteriana e Reformada" - podemos estar seguros de que não sem encantar seus leitores com a grandeza do seu tratamento e com a qualidade alta e penetrante dos seus pensamento. As colunas do "The Christian Intelligencer" têm sido adornadas, de tempos em tempos durante o último ano, com exemplos das exposições práticas do Dr. Kuyper das verdades Bíblica; e aqui e ali uma discussão breve mas iluminadora sobre um tópico de interesse atual tem aparecido nas colunas do "The Independent". O apetite estimulado por este gosto de boas coisas, foi parcialmente satisfeito pela publicação em Inglês de dois extensos tratados de sua autoria-um discutindo de maneira singularmente profunda os princípios de "A Enciclopédia de Teologia Sacra" (Charles Scribner's Sons, 1898), e o outro expondo com o maior vigor e clareza os princípios fundamentais do "Calvinismo" ('The Fleming H. Revell Company, 1899). O último volume consiste de palestras apresentadas na "Fundação L. P. Stone" (The L.P. Stone Foundation), no Seminário Teológico Princeton no outono de 1898, e a visita do Dr. Kuyper à América nesta ocasião o pôs em contato com muitos amantes de altas idéias na América, e deixou um senso de familiaridade com ele nas mentes das multidões que tiveram a sorte de encontrá-lo ou de ouvir a sua voz naquela oportunidade. É impossível para nós olharmos para o Dr. Kuyper como um estranho, que precise de ser apresentado para que o notemos, quando ele aparece diante de nós; ele agora mais parece ser um dos nossos próprios profetas, à mensagem de quem nós temos um certo direito, e das mãos de quem nós aceitamos um novo livro como aceitaríamos um presente de um amigo chegado, carregado num sentido com cuidado pelo nosso bem estar. O livro que agora é oferecido ao público Americano não vem, na realidade, diretamente das mãos do Dr. Kuyper. Ele já tem estado ao alcance da sua audiência Holandesa por mais de uma década (já que foi publicado em 1888). No entanto, foi só recentemente que o Dr. Kuyper veio a nos pertencer também, e a publicação deste livro em Inglês, nós esperamos, é só mais um passo no processo que gradualmente fará com que toda a sua mensagem seja nossa também.
Ninguém certamente passará as páginas deste volume - nem tampouco, como diriam os nossos amigos Judeus, "se afogará no livro" - sem perceber que trata-se de um presente valioso que chega até nós da parte do nosso mestre recentemente encontrado. É, como será de imediato observado, um tratado compreensivo sobre a Obra do Espírito Santo - um tema que nenhum outro mais elevado poderia ocupar a atenção do homem Cristão, e todavia um tema sobre o qual tratados realmente compreensíveis são comparativamente raros. É fácil, com certeza, exagerar a importância do último fato. Nunca houve uma época, é claro, na qual os Cristãos não confessassem sua fé no Espírito Santo; e nunca houve uma época quando eles não comentassem entre si, não falassem uns para os outros sobre a obra do Espírito Abençoado, o Executor da Divindade não somente na criação e sustentação dos mundos e na inspiração dos profetas e apóstolos, mas também na regeneração e na santificação da alma. Nem jamais houve uma época quando, no desenvolver da sua tarefa de mentalmente entender os tesouros da verdade postos ao seu cuidado na revelação Escritural, a Igreja não tenha se ocupado também com a investigação dos mistérios da pessoa e da obra do Espírito; e especialmente, nunca houve uma época desde aquele tremendo reavivamento da religião o qual denominamos Reforma, quando toda a obra do Espírito na aplicação da redenção processado por Cristo não tenha sido um tópico do mais completo e amoroso estudo de homens Cristãos. Realmente, é em parte devido à mesma intensidade do estudo dado às atividades salvadoras do Espírito que tão poucos Tratados compreensíveis sobre a obra do Espírito têm sido escritos. O assunto tem parecido ser tão vasto, as ramificações do qual parecem ser tão abrangentes, que poucos têm tido a coragem de encará-lo por inteiro. Estudiosos e escritores da Dogmática têm, certamente, sido compelidos a apresentar todo o escopo do assunto no seu lugar apropriado, nos seus sistemas completos. Mas quando monografias são escritas, eles têm tendido a confinarem-se num único segmento do grande círculo; e assim nós temos tido tratados mais sobre, digamos, Regeneração, ou Justificação, ou Santificação, ou a Unção do Espírito; ou a Intercessão do Espírito, ou o Selo do Espírito; do que sobre a obra do Espírito como um todo. Seria um grande erro pensar que a doutrina do Espírito Santo foi negligenciada simplesmente porque ela tem sido apresentada preferentemente sob suas várias rubricas ou partes, do que na sua totalidade. O quão facilmente alguém pode cair em tal erro é bem ilustrado por certos criticismos que têm sido recentemente dirigidos à Confissão de Fé de Westminster - que é (como um documento Puritano certamente o seria) muito mais um tratado sobre a obra do Espírito - como se ela fosse deficiente, não tendo um capítulo devotado especificamente a "O Espírito Santo e a Sua Obra". A única razão porque ela não dedica um capítulo a este assunto, contudo, é porque ela prefere dedicar nove capítulos; e quando uma tentativa foi feita para suprir a omissão imaginada, descobriu-se que tudo o que poderia ser feito era apresentar no novo capítulo proposto um magro resumo do conteúdo daqueles nove capítulos. Teria sido mais plausível, de fato, dizer que a Confissão de Fé de Westminster comparativamente negligenciou a obra de Cristo; ou mesmo a obra de Deus Pai. Similarmente, a falta na nossa literatura de uma grande quantidade de tratados compreensíveis sobre a obra do Espírito Santo é em parte devida à riqueza, da nossa literatura, em tratados sobre as porções separadas daquela mesma obra, individualmente. O significado do livro do Dr. Kuyper é, portanto, em parte devido somente ao fato de que ele teve a coragem de abordar e as graças de portanto realizar com sucesso uma tarefa que poucos possuíram tanto a grandeza de vislumbrar como poderes para empreender. E não é um ganho pequeno ser capaz de pesquisar em todo o campo da obra do Espírito Santo na sua unidade orgânica, sob a direção de uma mente tão prática, tão sistemática e tão fértil. Se não podemos olhar para este livro como uma obra desbravadora, ou mesmo dizer que ele é a única obra deste tipo desde Owen, podemos ao menos dizer que ele reúne o material pertencente a este grande tópico com um gênio sistematizador que é muito raro, e apresenta tal material com uma apreciação penetrante do seu significado e uma riqueza de apreensão das suas relações que é excedentemente iluminadora.
Deve ser observado que não dissemos sem qualificação que a escassez comparativa de tais tratados compreensíveis sobre a obra do Espírito Santo da forma como é compreensível o trabalho do Dr. Kuyper é devido simplesmente à grandeza e à dificuldade da tarefa. Temos sido cuidadosos ao dizer que é somente em parte, devido a este motivo. É somente nos círculos aos quais esta tradução para o Inglês é apresentada, para dizer a verdade, que esta observação é aplicável. A felicidade dos Cristãos Reformados de fala Inglesa é que eles são herdeiros do que podemos com toda justiça referirmo-nos como uma literatura imensa sobre este grande assunto; pode até ser dito com alguma justiça que a peculiaridade do seu labor teológico se volta, para a diligência e profundidade do seu estudo deste campo. Como será lembrado, o Dr. Kuyper aponta para a grande obra de John Owen, "Discourse Concerning the Holy Spirit" ("Discurso Relativo ao Espírito Santo") como até então o tratado normativo no assunto. Mas o livro de John Owen não prevalecia sozinho nos seus dias, na sua época; era mais um mero sintoma do que monopolizava o pensamento teológico do círculo do qual ele era grande ornamento na investigação deste assunto. O tratado de Thomas Goodwin sobre "A Obra do Espírito Santo na Nossa Salvação" bem merece um lugar ao seu lado; e é somente a verdade dizer que o pensamento Puritano foi quase que totalmente ocupado com estudo amoroso da obra do Espírito Santo, e teve a sua mais alta expressão em exposições prático-dogmáticas dos vários aspectos da mesma-do qual tratados como os de Charnock e Swinnerton sobre a Regeneração são somente os exemplos melhor conhecidos entre uma multidão que caiu no esquecimento no lapso dos anos. Por um século e meio depois, este assunto realmente continuou a formar o vínculo da teologia dos Ingleses Não Conformistas. Nem perdeu, este tema, sua posição central mesmo todavia nas mentes daqueles que têm o maior direito de serem considerados como os sucessores dos Puritanos. É claro que alguma decadência tem havido em alguns cantos, na certeza de compreender e na precisão teológica na apresentação do assunto; mas é possível que continue a aparecer anualmente na impressa Inglesa, um número maior de tratados práticos sobre algum ou outro elemento da doutrina do Espírito, mais do que sobre qualquer outro ramo da divindade. Entre estes, livros tais como o do Dr. A. J. Gordon: "The Ministry of the Spirit" ("O Ministério do Espírito"), o do Dr. J. E. Cumming "Through the Eternal Spirit" ("Através do Espírito Eterno"), do Diretor H. C. G. Moule "Veni Creator" ("Vem Criador"), do Dr. Bedford "Vox Dei" ("A Voz de Deus"), do Dr. Robson "The Holy Spirit, the Paraclete" ("O Espírito Santo, o Paracleto"), do Dr. Vaughan "The Gifts of the Holy Spirit" ("Os Dons do Espírito Santo") - para enumerar somente alguns dos mais recente livros-detêm um alto nível de clareza teológica e poder espiritual; enquanto, se nos for permitido voltar somente uns poucos anos, podemos encontrar na obra do Dr. James Buchanan "The Office and Work of the Holy Spirit" ("O Ofício e a Obra do Espírito Santo") e no do Dr. George Smeaton "The Doctrine of the Holy Spirit" ("A Doutrina do Espírito Santo"), dois tratados cobrindo todo o terreno, um em um espírito mais prático, o outro num mais didático, de maneira merecedora das melhores tradições dos nossos pais Puritanos. Portanto, entre as igrejas de fala Inglesa, sempre existiu uma corrente copiosa de literatura sobre a obra do Espírito Santo; e o livro do Dr. Kuyper chega até nós não como algo novelesco, mas como uma apresentação finamente concebida e executada de um tópico no qual estamos todos pensando.
Mas não é o mesmo caso em todas partes da Cristandade. Se elevarmos nossos olhos da nossa condição especial e visualizarmos a Igreja como um todo, um espetáculo diferente se descortinará. À medida em que os direcionamos para a história da Igreja, descobrimos que o tópico da obra do Espírito Santo foi tal que somente numa época posterior realmente emergiu como o estudo explícito de homens Cristãos. Quando direcionamos nossos olhos para a extensão completa da Igreja moderna, descobrimos ser a obra do Espírito Santo um tópico apela, mesmo que com pouca força, a seções muito grandes da Igreja. A pobreza da teologia Continental neste campo é, realmente, depois de tudo o que foi feito e dito, depressiva. Notem um ou dois pequenos livros escritos pelos Franceses E. Guers e G. Tophel¹, e um par de estudos formais da doutrina Neo Testamentária do Espírito, pelos escritores Holandeses Stemler e Thoden Van Velzen, chamados pela sociedade de Hague (N.T.: cidade Holandesa, capital administrativa do país)-e temos diante de nós quase que a lista toda dos livros mais antigos do nosso século, os quais alegam, de qualquer forma, cobrir este assunto. Nem muito tem sido feito recentemente, para remediar a deficiência. A admirável atividade teológica na Alemanha atual não tem, com certeza, sido capaz de lidar com um tema tão frutiferamente e por completo; e os acadêmicos Alemães têm nos dado uns poucos estudos científicos de partes do material Bíblico. Destes, os dois mais significativos realmente apareceram no mesmo ano que o livro do Dr. Kuyper - "Der heilige Geist in des Heilsverkündigund des Paulos" por Gloel e "Die Wirkungen des heiligen Geistes hach d. populär. Anschauung der apostolischen Zeit and der lehre d. A. Paulus" por Gunkel (2ª edição; 1899); estes foram seguidos no mesmo espírito por Weienel, numa obra intitulada "Die Wirkungen des Geistes und der Geister im nachapostolischen Zeitalter" (1899); enquanto que um pouquinho antes o teólogo Holandês Beversluis publicou um estudo mais compreensível, "De Heilige Geest em zijne werkingen volgens de Schriften des Nieuwen Verbords" (1896). Sua investigação do material Bíblico, contudo, não somente é muito formal, mas também é dominada por tais pressuposições teológicas imperfeitas que dificilmente pode levar o aluno um passo adiante. Muito recentemente algo melhor apareceu nesse aspecto, em livros tais como o do teólogo Meinhold "Der heilige Geist and sein Wirken am einzelnen Menschen, mit besonderer Beziehung auf Luther" (1870, 12mo, pp. 278)* ; de 2 W. Kölling "Pneumatologie, oder die Lehre von der Person des heiligen Geistes" (1894, 8vo, pp. 368); de Karl von Lechler "Die biblische Lehre vom heiligen Geiste" (1899, 8vo, pp.307); e de K. F. Nosgen "Geschichte von der Lehre vom heiligen Geiste" (1899, 8vo, pp.376) - os quais é de se esperar sejam os começos de uma série variada de trabalhos do lado Luterano, dos quais possa, depois de um certo tempo, surgir algum tratamento compreensivo e imparcial do tema como um todo, como aquele propiciado pelo Dr. Kuyper aos nossos irmãos Holandeses, e agora a nós, nessa tradução para o Inglês. Mas nenhum deles fornece o próprio tratado esperado, e é significativo que nenhum mesmo gabe-se de fazê-lo. Mesmo onde, como no caso dos livros de Meinhold e von Lechler, o tratamento é realmente tópico, o autor é cuidadoso ao declarar a intenção de fornecer uma visão sistemática e bem compacta do assunto, ao mencionar, na página título, um ponto de vista exegético ou histórico. [(*) O livro de Meinhold é principalmente uma polêmica Luterana na defesa de princípios fundamentais, contra o racionalismo Ritschliano sobre este assunto. Como tal, sua contrapartida é fornecida no recente tratado de Rudolf Otto, "Die Na.. schauung vom heiligen Geiste bei Luther" (1898].
Na verdade, somente numa situação única em toda a história da literatura teológica Alemã - ou, podemos dizer, anteriormente ao Dr. Kuyper, na história de toda a literatura teológica continental -alguém tenha tido a coragem ou encontrado o impulso de encarar a tarefa que o Dr. Kuyper tão admiravelmente executou. Referimo-nos, é claro, à grande obra sobre "Die Leher vom heiligem Geiste", a qual foi projetada por aquele gigante teológico, K. A. Kahnis, mas a primeira parte da qual foi publicada-num fino volume de trezentas e cinqüenta páginas, em 1847. Foi sem dúvida sintomático do estado de espírito na Alemanha quanto ao assunto, que Khanis nunca encontrou tempo ou coragem, numa longa vida de busca teológica, para completar o seu livro. E, de fato, foi, à época, recebido nos círculos teológicos com algo como uma divertida surpresa, que alguém pudesse devotar tanto trabalho e tanto tempo a este tema, ou esperar que outros encontrassem tempo e energia, disposição para ler tal tratado. Nos é dito que um teólogo bem conhecido observou sarcasticamente quanto a isso, que se as coisas fossem levadas a efeito naquela escala, ninguém poderia esperar viver o bastante para ler a literatura disponível sobre tal assunto; e a observação similar feita por C. Hase no prefácio da quinta edição do seu "Dogmatic" ("Dogmático"), embora nenhum nome fosse mencionado, cria-se que se referisse ao livro de Kahnis (3). A importância da singular e fracassada tentativa de Kahnis de prover para o Protestantismo Alemão algum tratamento válido da doutrina do Espírito Santo é tão grande que fará com que fixemos nas nossas mentes os fatos a ela relativos. E para este fim é que mencionamos o seguinte excerto referente a ela, da introdução da obra de von Lechler, que mencionamos anteriormente (p. 22 e seguintes).
"Nós temos de apontar, concluindo, uma outra circunstância na história da nossa doutrina, que é ao seu jeito tão significativa para a atitude da ciência moderna com relação ao tema, como foi o silêncio do primeiro Conselho Ecumênico referindo-se ao fim da primeira era teológica. É a extraordinária pobreza de monografia sobre o Espírito Santo. Embora existam, sim, alguns, e em determinadas instâncias importantes, estudos lidando com o assunto, todavia os seus número está fora de toda proporção com relação à grandeza e à extensão dos problemas. Sem dúvida que não deveríamos errar ao assumir que o interesse vital numa questão científica se expressará não meramente em brochuras compreensíveis e compêndios enciclopédicos, estes últimos que são especialmente forçados a abranger por completo a lista de assuntos tratados; mas por necessidade também naquelas investigações em separado, especialmente nas quais o vigor da juventude está acostumado a fazer prova da sua capacidade para estudos mais elevados. Que lacuna teríamos para lamentar em outros ramos da ciência teológica se um rico desenvolvimento de literatura monográfica não se oscilasse pela fé dos compêndios, desbravando novos caminhos aqui e ali, estabelecendo alicerces mais fundos, provendo material valioso para a conclusão da estrutura científica! Tudo isto, contudo, na presente realidade, dificilmente começou. O único tratado em separado, que foi projetado numa base de investigação realmente vasta e profunda - o "Lehre vom heiligen Geiste" de K. A. Kahnis (então em Breslau), em 1847-parou com a primeira parte. Este célebre teólogo, que certamente possuía em medida surpreendente as qualidades e aquisições que o capacitavam a avançar como um preparador do caminho neste assunto incerto e pouco adequadamente estudado, estabeleceu para si o propósito de investigar este, como ele próprio chamava, 'estraordinariamente negligenciado' tópico, de uma vez, nos seus lados Bíblico, histórico, eclesiástico e dogmático. A história do seu livro é sumamente instrutiva e sugestiva com respeito ao tema em si. Ele achava o assunto, à medida em que o abordava mais de perto, difícil num grau muito especial, principalmente na multiplicidade da concepção. Primeiro, os seus resultados eram cada vez mais e mais negativos. Uma disputa com os 'amigos de luz' da época o ajudaram a avançar. Testium nubes magis juvant, quam luciferorum virorum importuna lumina. Mas Deus, diz ele, guiou-o a uma clareza maior: a doutrina da Igreja aprovou-se para ele. De qualquer forma, não era seu propósito estabelecer a doutrina Bíblica em todos os seus pontos, mas somente mostrar o lugar ocupado pelo Espírito Santo no desenvolvimento da Palavra de Deus no Antigo e no Novo Testamentos. Houve um sentimento que lhe sobreveio, que encontrávamo-nos na véspera de um novo derramamento do Espírito. Mas a aurora esperada, ele diz, não raiou. Sua ampla pesquisa, além deste tema em especial, do inteiro domínio da ciência na vida corporativa da Igreja, é característica não menos do tema, do que do homem. Não lhe foi dado, no entanto, enxergar a ansiada inundação derramada sobre os campos sedentos. Sua 'fundação' exegeta (capítulos i - iii) move-se nos trilhos antigos. Desde que ele essencialmente compartilhava o ponto de vista subjetivo de Schleiemacher e confiava a decisão final sobre concepções determinantes à filosofia, apesar de muitos flashes notáveis de discernimento nas Escrituras ele permanecia fixo no modo ético e intelectualista de imaginar o Espírito Santo, embora isto fosse acompanhado por muitas tentativas de sobrepujar Schleimacher, mas sem a conquista de qualquer concepção 'unitariana' e sem qualquer esforço de trazer a questão flamejante da pessoalidade ou impessoalidade do Espírito à uma solução Bíblica. O quarto capítulo institui uma comparação entre o Espírito do Cristianismo e o do ateísmo. O segundo livro lida primeiro com a relação da Igreja para com o Espírito Santo de maneira geral, e então adentra à história da doutrina a qual é desenvolvida, no entanto, somente através dos primeiros pais, e descontinua a pesquisa na safra escassa que a idade antiga proporcionou às épocas subsequentes, nas quais ocorreu o mais rico desenvolvimento da doutrina. Aqui o livro encerra. (4)
Assim é que a única tentativa válida feita pela teologia Alemã para produzir um tratado compreensível sobre a obra do Espírito Santo permanece como uma coisa inacabada e negligenciada até hoje.
Se formos juntar os fatos aos quais nós temos então de forma tanto quanto desordenada chamado a atenção em declaração sugestiva, seremos compelidos a reconhecer que a doutrina do Espírito Santo só foi vagarosamente trazida à consciência explícita da igreja, e ainda assim só firmou-se na mente e na consciência de somente uma pequena parte da Igreja. Para ser mais específico, precisaremos notar que a Igreja antiga se ocupava com a investigação dentro dos limites deste campo, de somente a doutrina da pessoa do Espírito Santo - Sua deidade e personalidade - e de sua função de inspirador dos profetas e apóstolos, enquanto que a outra doutrina da obra do Espírito no sentido mais amplo é uma dádiva da Reforma para a Igreja (5); e precisaremos notar ainda que desde a sua formulação pelos Reformadores esta doutrina tem formado raízes profundas e produzidos todos os seus frutos somente nas igrejas Reformadas, e entre elas, em proporção exata à lealdade da sua adesão aos, e à riqueza do seu desenvolvimento dos, princípios fundamentais da teologia Reformada. Apresentada na sua forma mais clara, eqüivale dizer que a doutrina desenvolvida da obra do Espírito Santo é uma doutrina exclusiva da Reforma; e mais particularmente, uma doutrina Reformada; e ainda mais particularmente, uma doutrina Puritana. Aonde quer que os princípios da Reforma tenham ido, ela também chegou; mas ela alcançou somente sua plenitude entre as igrejas Reformadas, e entre elas, somente onde o que nos acostumamos a chamar de "a Segunda Reforma" aprofundou a vida espiritual das igrejas e moldou de novo o Cristão com sentimento especialmente incisivo quanto à graça de Deus somente como a sua única dependência para a salvação e todos os bens desta vida e da vida porvir. Realmente, é possível ser ainda mais preciso. A doutrina da obra do Espírito Santo é um presente de João Calvino à Igreja de Cristo. É claro que ele não a inventou. A integridade dela encontra-se espalhada nas páginas da Bíblia com uma clareza e plenitude tais que alguém pensaria seguramente que, mesmo correndo poderia ler; e sem dúvida, mesmo aquele que corria pôde ler, e a leitura alimentou a alma do verdadeiro crente em todas as épocas. Correspondentemente, pistas da sua apreensão são encontradas largamente disseminadas em toda literatura Cristã, e em particular os brotos da doutrina são abertamente anunciados nas páginas de Agostinho. Lutero não deixou de basear-se neles; Zuínglio mostra vez após vez que ele as tinha ricamente guardadas na mente; eles constituíam, na verdade, uma das bases do movimento da Reforma; ou melhor eles proveram o sopro vital do movimento. Mas foi Calvino quem primeiro lhes deu algo como uma expressão adequada ou sistemática; e é a partir dele e através dele que os brotos, o início da doutrina da Obra do Espírito Santo passaram a ser possessão assegurada da Igreja de Cristo. Não há nenhum fenômeno na história doutrinária mais assombroso que os comumente aceitos pontos de vista quanto à contribuição feita por João Calvino para o desenvolvimento da doutrina Cristã. Ele é atualmente considerado como o pai das doutrinas, tais como a da predestinação e da rejeição, das quais ele foi um mero herdeiro, - recebendo-as por inteiro das mãos do seu grande mestre Agostinho. Entretanto, suas reais contribuições pessoais para a doutrina Cristã são esquecidas por completo. São elas da mais rica espécie e não podem ser aqui enumeradas. Mas é relevante ao nosso tópico em pauta, notar que no topo delas encontram-se três dádivas de primeiro valor para o pensamento e para a vida da Igreja, os quais não deveríamos de modo algum deixar passar de nossa grata memória. É a João Calvino que devemos aquela concepção ampla da obra de Cristo, a qual é expressa na doutrina do Seu ofício triúno de Profeta, de Sacerdote e de Rei; Calvino foi o primeiro que apresentou a obra de Cristo sob este esquema, e a partir dele é que passou a ser lugar comum Cristão. É a João Calvino que devemos toda a concepção de uma ciência de "Ética Cristã"; ele foi o primeiro a estabelecer a idéia e desenvolver seus princípios e conteúdo e ela permaneceu como propriedade privada dos seus seguidores por um século. E é a João Calvino que devemos a primeira formulação da doutrina da obra do Espírito Santo; ele mesmo deu a ela uma declaração muito rica, desenvolvendo-a especialmente nos amplos segmentos da "Graça Comum", da Regeneração e da "A Testemunha do Espírito"; e é, como temos visto, somente entre os seus descendentes espirituais que até hoje ela tem recebido atenção adequada nas igrejas. Devemos guardar-nos, é claro, de exageros quanto a tal assunto; os simples fatos, quando os relacionamos sem pausas para obscurecimentos sem importância, soam como exageros (6). Mas é simplesmente verdadeiro que estes grande tópicos receberam sua primeira formulação nas mãos de João Calvino; e é dele que a Igreja os obteve, e a é a ele que a Igreja deve agradecer pelos mesmos.
E se fizermos uma pausa para perguntar por que a formulação da doutrina da obra do Espírito Santo esperou pela Reforma e por Calvino, e por que o posterior trabalhar dos detalhes desta doutrina e o seu enriquecimento através do estudo profundo das mentes Cristãs e da meditação de corações Cristãos evoluiu desde Calvino somente aos Puritanos; e dos Puritanos para os seus descendentes espirituais como os mestres da Igreja Livre da era da Divisão e dos Holandeses que disputaram os tesouros da religião Reformada na nossa própria era, as razões não estão longe de serem vistas. Há, em primeiro lugar, uma ordem regular na aquisição da verdade doutrinária, inerente na natureza do caso, a qual, portanto, a Igreja foi obrigada a seguir em sua realização gradual do depósito da verdade provido nas Escrituras Sagradas; e em virtude disso a Igreja não poderia empreender com sucesso a tarefa de assimilar e de formular a doutrina da obra do Espírito Santo até que as fundações tivessem sido firmemente estabelecidas, claramente agarrada a doutrinas ainda mais fundamentais. E em seguida, há certas formas de construção doutrinária que deixam nenhum ou quase que nenhum lugar no coração para a obra do Espírito Santo pessoal; e na presença destas construções esta doutrina, mesmo onde é em parte é reconhecida e compreendida, se enfraquece e perde o interesse dos homens. A operação da causa primeira adiou o desenvolvimento da doutrina da obra do Espírito até o caminho estivesse preparada para tal; e esta preparação completou-se somente quando da Reforma. A operação da causa segunda retardou, onde não asfixiou a assimilação apropriada da doutrina em muitas partes da Igreja, até hoje.
Para ser mais específico: O desenvolvimento do sistema doutrinário do Cristianismo na concepção da Igreja ocorreu realmente através-como devia teoricamente ter ocorrido através-de um curso lógico e regular. Primeiro, foi absorvida atenção na contemplação dos elementos objetivos do depósito Cristão, e somente depois foram os elementos objetivos considerados mais completamente. Primeiro de tudo havia a doutrina de que Deus havia Se forçado na atenção dos homens, e até que a doutrina da Trindade tivesse sido completamente assimilada, a atenção não foi atraída vigorosamente para a doutrina cristã do Deus-homem; e de novo, até que a doutrina da Pessoa de Cristo fosse completamente assimilada, a atenção não foi incisivamente atraída para a doutrina Cristã do pecado-a impotência e a necessidade do homem; e somente depois que ela tivesse sido inteiramente trabalhada, a atenção poderia voltar-se para a provisão objetiva para atender à necessidade do homem através da obra de Cristo; e de novo; somente depois disso é que a atenção poderia voltar-se para a provisão subjetiva para atender as necessidades através da obra do Espírito. Esta é a ordem lógica do desenvolvimento, e é a ordem real na qual a Igreja tem, vagarosamente e em meio às torturas e sofrimentos de toda sorte de conflitos com o mundo e com a sua própria lentidão em crer em tudo o que os profetas escreveram-trabalhado o seu caminho na plenitude da verdade revelada a ela pela Palavra de Deus. A ordem é, será observado, Teologia, Cristologia, Antropologia (Hamartiologia), Impetração da Redenção, Aplicação da redenção; e na natureza do caso os tópicos que caírem sob a rubrica da aplicação da redenção não poderiam ser solidamente investigados até que as bases tivessem sido estabelecidas para eles na assimilação dos tópicos precedentes. Nós conectamos os grandes nomes de Atanásio e seus dignos sucessores que lutaram as disputas Cristológicas; de Agostinho e de Anselmo, com os estágios precedentes deste desenvolvimento. Os líderes da Reforma é que foram chamados para acrescentarem o arremate, o último tijolo à estrutura, pelo trabalhar, pelo desenvolver dos fatos quanto à aplicação da redenção à alma do homem através do Espírito Santo. Alguns elementos da doutrina do Espírito são de fato implicados em discussões anteriores. Por exemplo, a deidade e a personalidade do Espírito-toda a doutrina da Sua pessoa-foi uma parte da doutrina da Trindade; e isto tornou-se correspondentemente um tópico para debate anterior, e literatura patrística é rica em discussões quanto a isto. A autoridade das Sagradas Escrituras foi fundamental para toda a discussão doutrinária; e a doutrina da inspiração dos profetas e apóstolos pelo Espírito Santo foi portanto sustentada com grande ênfase desde o início. Na determinação da necessidade do homem na controvérsia Pelagiana, muito foi necessariamente determinado sobre a "Graça", - a necessidade dela, a sua antecedência (preveniência), a sua eficácia, a sua indefectibilidade, - e neste bastante, foi antecipado o que era para ser mais tarde desenvolvido de forma mais ordenada, na doutrina da obra interior do Espírito; e há muito em Agostinho que antecipadamente revela a determinação de tempos posteriores. Mas mesmo em Agostinho há uma certa ambigüidade e incerteza no tratamento desses tópicos, os quais nos sugerem que, enquanto os fatos relativamente ao homem e às suas necessidades e os métodos de Deus nele operar para a salvação estão firmemente agarrados, estes mesmos fatos relativamente às atividades pessoais do Espírito ainda aguardam a sua completa assimilação. Um outro passo ainda teve de ser tomado: a Igreja precisava esperar ainda por Anselmo, para estabelecer a determinação final da doutrina da expiação vicária; e somente quando havia sido dado tempo para a sua assimilação, finalmente as mentes dos homens foram capazes de dar o passo final. Então levantou-se Lutero, para proclamar a justificação pela fé; e Calvino para estabelecer com o seu maravilhoso equilíbrio toda a doutrina da obra do Espírito no aplicar da salvação à alma. Neste aspecto, também, era necessário esperar pela plenitude dos tempos; e quando veio a plenitude dos tempos, os homens estavam prontos para a sua tarefa e a Igreja estava pronta para a sua obra. E nesta colocação nós encontramos uma porção do segredo da imensa sublevação da Reforma.
Infelizmente, no entanto, a Igreja não estava pronta da mesma forma, em todas as suas partes, para o novo passo no desenvolvimento doutrinário. Isto foi, é claro, na natureza do caso: pois o desenvolvimento da doutrina naturalmente ocorre num ambiente de concepções parciais e endurecidas, e pode somente desenvolver-se através de um conflito de opinião. Todos os Arianos não desapareceram imediatamente após o Concílio de Nice; ao contrário, por uma época parecia que eles estavam destinados a reger a Igreja. O decreto de Calcedônia não aquietou de imediato todo o debate Cristológico, ou acabou com todo erro Cristológico. Havia resquícios de Pelagianismo que perduraram após Agostinho; e na realidade mesmo depois que o Sínodo de Orange começou a fazer progresso contra a verdade. A construção de Anselmo, da expiação, só muito vagarosamente ganhou lugar nos corações dos homens. E então, quando Calvino formulou pela primeira vez a doutrina mais completa e precisa da obra do Espírito, havia no mundo forças antagônicas que assaltaram-na e minaram a sua influência e obstruíram o seu avanço na compreensão dos homens. No geral, pode-se dizer que são dois: a tendência sacerdotal por um lado; e a tendência libertária, por outro. A tendência sacerdotal estava entrincheirada na Igreja antiga; de onde os Reformadores foram realmente enxotados pela própria força do novo fermento do seu individualismo de vida espiritual. Aquela Igreja era portanto impenetrável para a doutrina recentemente formulada da obra do Espírito. Para ela, a Igreja era a depositária da graça, os sacramentos eram seu veículo indispensável, e a administração dos mesmos encontravam-se nas mãos de agentes humanos. Aonde quer que este 'sacramentarianismo' fosse, qualquer que fosse a medida, a tendência era distrair a atenção dos homens do Espírito de Deus; e focalizá-la ma mídia do Seu operar; e aonde quer que ela (aquela tendência) tenha se entrincheirado, ali o estudo da obra do Espírito Santo tem, correspondentemente, mais ou menos esmaecido. É de fato muito fácil dizer que o Espírito encontra-se por detrás dos sacramentos e é operativo nos sacramentos; na verdade, os sacramentos tendem, em todos casos, a absorver a atenção e as explicações teóricas da sua eficácia como investidas na energia do Espírito tendem a morrer no interesse vívido dos homens. A tendência libertária, por outro lado, foi o nervo do antigo semi-Pelagianismo, o qual no Thomismo e no Tridentinismo tornou-se uma forma modificada da doutrina formal da Igreja de Roma; e em várias formas logo começou a se infiltrar e causar problemas nas igrejas, da Reforma - primeiro a Luterana e depois dela, também a Reformada. Para a tendência libertária, a vontade do homem era, em medida maior ou menor, o fator decisivo na recepção subjetiva da salvação; e em proporção era mais ou menos desenvolvida ou mais ou menos aplicada completamente. O interesse na doutrina da obra subjetiva do Espírito esmoreceu, e também nestes círculos as mentes dos homens foram distraídas a tal ponto do estudo da doutrina da obra do Espírito, e tenderam a focalizar-se na autocracia da vontade humana e sua capacidade nativa ou renovada de obedecer a Deus e buscar encontrar comunhão com Ele. Não há dúvida que aqui, também é fácil apontar para a função a qual ainda é permitida o Espírito, pelo menos em muitas construções teológicas nesta base. Mas o efeito prático foi que em justa proporção como a autocracia da vontade humana na salvação foi enfatizada, o interesse na obra interna do Espírito declinou. Quando levamos em consideração a grande influência exercida por estas duas tendências antagônicas mesmo no mundo Protestante, não nos surpreendemos com a queda na qual caiu a doutrina da obra do Espírito. E quase que teremos findado nossa busca antes de nos conscientizarmos o quão inteiramente estes fatos são responsáveis pelo fenômeno perante nós: quão verdadeiro é, completamente, que o interesse na doutrina da obra do Espírito falhou justo naquelas regiões e justo naquelas épocas nas quais ou o 'sacramentarismo' ou o 'libertarianismo' imperaram; e quão verdadeiro também é que o engajamento nesta doutrina tem sido intenso somente nas margens daquele estreito riacho de vida e pensamento religiosos, a nota chave do qual tem sido o 'soli Deo gloria' em seu significado mais pleno. Com esta chave nas mãos, os mistérios da história desta doutrina na Igreja nos é solucionado de uma vez por todas.
Um dos principais apelos que o livro do Dr. Kuyper nos faz, portanto, tem suas raízes no fato de ser produto de um grande movimento religioso nas igrejas Holandesas. Esta não é a hora nem o local para darmos um panorama histórico daquele movimento. Todos nós temos observado com o interesse mais intenso, desde o surgimento das Igrejas livres até a união delas com o novo elemento dos Doleantie. Não nos furtamos de nenhuma prova de que aquele foi um movimento de excepcional profundidade espiritual; mas tivesse-nos faltado qualquer prova, - esta nos seria provida pelo aparecimento deste livro, de dentro do próprio coração do movimento. Onde quer que os homens estejam se ocupando de santas e felizes meditações sobre o Espírito Santo e a sua obra, é seguro dizer que os fundamentos de uma vida espiritual verdadeira estão estabelecidos, e que a estrutura de uma vida espiritual rica está erguendo-se. O mero fato de um livro desta característica oferecer-se como um dos produtos deste movimento nos atrai a ele; e a própria natureza da obra - sua solidez de pensamento e sua profundidade de compreensão espiritual - acende nossas esperanças pelo futuro das igrejas nas quais deu-se o seu nascimento. Somente uma Igreja espiritualmente consciente pode fornecer o solo no qual uma literatura do Espírito possa crescer. Alguns notarão no livro a falta do que estão acostumados a chamar de característica "científica" (7); certamente que nele não há a falta de exatidão científica de concepção, e se a alguém parecer faltar formato "científico", o livro seguramente tem uma qualidade que é melhor do que qualquer coisa que mesmo um formato "científico" poderia proporcionar - trata-se de um livro religioso. É o produto de um coração religioso, e leva o leitor a uma contemplação religiosa dos grandes fatos do operar do Espírito Santo. Que ele possa trazer a todos em cujas mãos ele encontre seu caminho neste novo veículo de uma nova linguagem, um sentimento feliz e duradouro de descanso em e no Deus o Espírito Santo, o Autor e Senhor de toda a vida, a quem em nossos corações possamos orar:
"Veni, Creator Spiritus,
Spiritus recreator,
Tu deus, tu datus clitus,
Tu donum, tu donator."
Seminário Teológico de Princeton,
23 de Abril de 1900
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(1) Guers, "Le Saint-Esprit: Étude Doctrinale et Practique" ("O Espírito Santo: Estudo Doutrinário e Prático") - 1865; G: Tophel, "The Work of the Holy Spirit in Man" ("A Obra do Espírito Santo no Homem") - E.T. 1882
(2) Livro de Meinhold é principalmente uma polêmica Luterana na defesa dos princípios fundamentais, contra o racionalismo Ritschliano neste assunto. Como tal, a contrapartida é fornecida no tratado recente de Rudolf Otto, "Die Anschauung vom heiligen Geiste bei Luther" - 1898.
(3) Veja Holtzmann no "Theolog. Literalurzeitung" de 1896, XXV, página 646
(4) Compare as observações do Dr. Smeaton, op. cit., 2ª edição, página 396
(5) Para o caráter relevante da Reforma na história desta doutrina, também conforme Nösgen, op. cit., página 2. "Pois o seu desenvolvimento, uma linha divisória é provida simplesmente e somente pela Reforma, e isto meramente porque naquela época a atenção foi intensamente dirigida para a maneira correta da aplicação da salvação. Assim os problemas da salvação especialmente operada pelo Espírito Santo, da maneira do Seu agir na congregação dos crentes foram jogados ao chão; e o tratamento teológico desta doutrina foi de importância crescente para a Igreja de Cristo," etc.
(6) Então, por exemplo, uma leitura cuidadosa das páginas 65 até 77 da obra de Pannier "Le Temoignage du Saint-Esprit" nos dá a impressão de exagero, enquanto trata-se simplesmente da supressão de todos temas menores, para enfatizar os fatos salientes que são responsáveis por este efeito.
(7) Assim, Beversluis, op. cit., fala disso como o grande livro do Dr. Kuyper, o qual "não tem valor científico", embora seja repleto de passagens finas, e trate o assunto numa forma multi lateral.
Tradução livre: Eli Daniel da Silva
Belo Horizonte, 25 de Janeiro 2003.