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24 de fevereiro de 2012
 

Cristo entre os Publicanos e Pecadores

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Escrito por: Matthew Henry
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Marcos 2.13-17

Aqui vemos:

I

Cristo pregando junto ao mar (v. 13), para onde Ele foi à procura de espaço, porque julgou, depois da segunda experiência, que não havia casa ou rua suficientemente grande para comportar os seus ouvintes; mas à praia poderiam vir quantos quisessem. Com isso, podemos entender que o nosso Senhor Jesus tinha uma voz forte, e podia falar alto, e o fazia; pois “a sabedoria clama” nos lugares onde o povo se reúne. Aonde quer que Ele fosse, ainda que junto ao mar, multidões o seguiam. Onde quer que a doutrina de Cristo seja fielmente pregada, ainda que levada aos lugares mais longínquos do mundo, ou aos desertos, nós devemos segui-la.

II

Cristo convocando Levi – que se chamava Mateus e trabalhava na alfândega em Cafarnaum, razão pela qual ele era chamado de “publicano”. O seu trabalho o fixou junto ao mar, e para ali Cristo foi, para encontrá-lo, e para convocá-lo. Aqui está dito que esse Levi era “filho de Alfeu”, ou Clopas, marido daquela Maria que era irmã ou parente próxima de Maria de Nazaré (Jo 19.25); se isso for verdade, ele seria irmão de Tiago, o menor; e de Judas, e de “Simão, o Zelote”, de modo que havia quatro irmãos entre os apóstolos. É provável que Mateus fosse apenas um jovem extravagante, caso contrário, sendo um judeu, ele nunca teria se tornado um publicano. Apesar disso, Cristo o chamou para que o seguisse. Paulo, embora fosse fariseu, tinha sido um dos maiores pecadores, e ainda assim, foi chamado para ser um apóstolo. Com Deus, através de Cristo, existe misericórdia para perdoar os maiores pecados, e graça para santificar os maiores pecadores. Mateus, que tinha sido um publicano, tornou-se um evangelista, o primeiro a escrever sobre a vida de Cristo, tendo feito isso da maneira mais completa. Grandes pecados e escândalos antes da conversão não são obstáculos para grandes dons, graças e progressos mais tarde; pois assim Deus pode ser ainda mais glorificado. Cristo se antecipou a ele, com esse chamado. Normalmente Jesus era procurado ara as curas do corpo, mas nessas curas espirituais, Ele encontrava aqueles que não o procuravam. O grande mal e o grande perigo da doença do pecado é o fato de que aqueles que estão sujeitos a ele não desejam ser curados.

III

A sua conversa familiar com “publicanos e pecadores” (v. 15). Aqui lemos:

1. Que Cristo sentou-se para comer na casa de Levi, que o convidou e aos seus discípulos para o jantar de despedida que ele ofereceu aos seus amigos, quando abandonou tudo para servir a Cristo. Ele ofereceu esse banquete, como Eliseu (1 Rs 19.21), para mostrar não somente com que alegria em si mesmo, mas também com que gratidão a Deus, ele abandonava tudo, obedecendo ao chamado de Cristo. De maneira muito adequada, ele fez, do dia da sua adesão a Cristo, um dia de festa. Isto também era um testemunho do seu respeito por Cristo, e do sentimento de gratidão que ele tinha, devido à sua bondade de retirá-lo da alfândega, como um ramo que é retirado de uma fogueira.

2. Que “muitos publicanos e pecadores” se sentaram à mesa em Cristo na casa de Levi (pois havia muitos que trabalhavam naquela alfândega), e o seguiram. Alguns entendem que eles seguiram a Levi, supondo que, como Zaque, ele fosse o principal dos publicanos, e além disso, fosse rico, e por esta razão os inferiores o seguiam por qualquer coisa que pudessem obter. Eu prefiro interpretar que eles seguiam a Jesus por causa das notícias que tinham ouvido a respeito dele. Eles não deixaram tudo, pelas suas consciências, para segui-lo, mas pela curiosidade eles vieram à festa de Levi, para vê-lo; o que quer que os tivesse levado até ali, eles estavam sentados com Jesus e seus discípulos. Os publicanos são, aqui e em outras passagens, considerados como pecadores, os piores pecadores. (1) Porque, normalmente, eles o eram, tão generalizada era a corrupção na realização desse trabalho; oprimindo, exigindo, aceitando subornos ou acréscimos aos impostos, e fazendo falsas acusações (Lc 3.13,14, versão RA). Um publicano honesto era algo tão raro, até mesmo em Roma, que um certo Sabino, que tinha uma boa reputação nesse trabalho, foi, depois da sua morte, honrado com esta inscrição: Kalos telonesanti – Aqui jaz um publicano honesto. Porque os judeus sentiam uma particular antipatia por eles e pelo seu trabalho, por ser uma afronta à liberdade da sua nação e uma maneira da sua escravidão, e por essa razão eles os chamavam por nomes feios, e julgavam escandaloso ser visto em companhia deles. O nosso Senhor, quando se manifestou em semelhança de carne pecaminosa (se bem que Ele jamais pecou), gostava de conversar com esse tipo de pessoas.

IV

Como os escribas e fariseus se ofenderam com isso (v. 16). Eles não vieram para ouvi-lo pregar, como o que poderiam ter sido convencidos e edificados, mas vieram, pessoalmente, vê-lo sentar-se com os publicanos e os pecadores, com o que se sentiram provocados. Eles se empenharam em depreciar o Mestre perante os seus discípulos, como sendo um homem de santidade e moral que não estavam de acordo com o seu caráter, e desta maneira, fizeram aos discípulos a seguinte pergunta: “Por que come e bebe ele com os publicanos e pecadores?” Observe que não é novidade que aquilo que é bem feito, e que tem um bom propósito, seja deturpado, e voltado para a reprovação dos melhores e mais sábios homens.

V

A justificação que Cristo faz acerca de si mesmo (v. 17). Ele confirmou o que tinha feito, e não se retirou, embora os fariseus estivessem ofendidos, como fez Pedro, mais tarde (Gl 2.12). Note que prezam demais o seu bom nome aqueles que, para preservá-lo perante algumas pessoas agradáveis, recusam um bom trabalho. Cristo não faria isso. Eles pensavam que os publicanos deviam ser odiados. “Não”, disse Cristo, “eles devem ter a nossa misericórdia; eles estão enfermos e precisam de um médico; eles são pecadores, e precisam de um Salvador”. Eles pensaram que o caráter de Cristo o separaria deles. “Não”, disse Cristo, “a minha missão me dirige a eles; eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento. Se o mundo tivesse sido justo, não haveria motivo para a minha vinda, fosse para pregar o arrependimento, ou para comprar a remissão. Eu fui enviado para um mundo pecador, e por isso o meu trabalho está junto àqueles que são os maiores pecadores”. Ou: “Eu não vim para chamar os justos, os orgulhosos fariseus que se julgam justos, e que perguntam: ‘Em que havemos de tornar?’ (Ml 3.7) e ‘De que devemos nos arrepender?’ Mas Eu vim para chamar os pobres publicanos, que se julgam pecadores, e que se alegram por terem sido convidados e incentivados ao arrependimento”. É bom lidar com aqueles em quem há esperança. “Maior esperança há no tolo do que em um homem que é sábio aos seus próprios olhos” (Pv 26.12).

 

Fonte: Comentário Bíblico Matthew Henry – Mateus a João (Editora CPAD), p. 412-413.



Sobre o Autor

Matthew Henry
Matthew Henry
Matthew Henry (1662-1714) foi um ministro não-conformista e comentarista. Pregador eminente, ele começou a pregar a partir dos vinte e quatro anos de idade e manteve o pastorado até sua morte. A grandeza de seus sermões consiste de conteúdo bíblico, apresentação lúcida, aplicação prática e centralidade de Cristo. Contudo, a reputação de Henry repousa sobre seu célebre comentário, Exposição do Antigo e Novo Testamentos (5 volumes, Londres, 1708-10), em razão do qual ele tem sido conhecido e amado por três séculos.



 
 

 
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