Terrorismo, Justiça e Amor aos Nossos Inimigos

por

John Piper


 

12 de setembro de 2001

Alguém me perguntou depois de nosso culto de oração de terça-feira, em resposta ao ataque terrorista: “Podemos orar por justiça e ainda amar nossos inimigos ao mesmo tempo?”. A resposta é sim.

Vamos começar com nossa própria culpa. Os cristãos sabem que, se Deus lidasse conosco somente de acordo com a justiça, nós pereceríamos debaixo de sua condenação. Nós somos culpados de traição contra Deus em nosso orgulho e rebelião pecaminosos. Nós merecemos apenas o julgamento. Justiça somente nos condenaria ao sofrimento eterno.

Mas Deus não lida conosco apenas em termos de justiça. Sem comprometer sua justiça, ele “justifica o ímpio” (Romanos 4.5). Isto soa injusto. E seria se não fosse por aquilo que Deus fez na vida e morte de Jesus Cristo. A misericórdia de Deus o moveu a enviar o Filho de Deus para carregar a ira de Deus a fim de vindicar a justiça de Deus quando ele justifica pecadores que têm fé em Jesus. Então nós temos nossa vida abundante por causa da misericórdia e justiça (Romanos 3.25-26). Elas se encontram na cruz.

Portanto, não devemos ser tão rápidos em pedir justiça separada da misericórdia. Jesus requer: “Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus; Porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos.” (Mateus 5.44-45). E, é claro Jesus trouxe esse modelo para nós como um homem perfeito. “ Nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho” (Romanos 5.10). E mesmo quando ele por seus inimigos, ele orou “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lucas 23.34).

Assim, o mandamento repetido pelos apóstolos é “Abençoai aos que vos perseguem, abençoai, e não amaldiçoeis... Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira, porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor. Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber” (Romanos 12.14-20). Quando nós vivemos desta forma magnificamos a glória da misericórdia de Deus e o Tesouro cheio de satisfação que ele é para nossas almas. Nós mostramos que, por causa de seu valor supremo para nós, não precisamos do sentimento de vingança pessoal a fim de estarmos contentes.

Mas esta verdade não é comprometida se dizemos que Deus deve também ser glorificado como aquele que governa o mundo e delega um pouco de sua autoridade aos estados civis. Portanto, alguns dos direitos divinos de Deus são dados aos governantes, com o propósito de conter o mal e manter a ordem social debaixo de leis justas. Isto é o que Paulo quer dizer quando escreve “Não há potestade que não venha de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus... Porque ela é ministro de Deus para teu bem... Pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus, e vingador para castigar o que faz o mal.” (Romanos 13.1-4)

Deus deseja que a justiça humana organize-se por meio de governantes, e entre cidadãos e autoridade civil. O governo não carrega a espada sem motivos. A polícia tem o direito dado por Deus para usar a força a fim de conter o mal e levar criminosos à justiça. E estados legítimos têm o direito divino de contar agressões que ameacem à vida e levar criminosos à justiça. Se estas verdades forem conhecidas, o exercício de prerrogativa divina glorificará a justiça de Deus, que misericordiosamente ordena que o avanço do pecado e miséria seja contido na Terra.

Portanto, nós magnificaremos a misericórdia de Deus ao orar para que nossos inimigos sejam salvos e reconciliados com Deus. Na esfera pessoal, estaremos desejando sofrer pelo bem eterno deles, e nós daremos a eles comida e bebida. Nós lançaremos fora o ódio malicioso e vingança pessoal. Na esfera pública nós também magnificaremos a justiça de Deus ao orar e trabalhar para que a justiça seja feita na Terra, se necessário através de uma força sábia e reta proveniente da autoridade ordenada por Deus.

Buscando magnificar TUDO da glória de Deus,

 

Pastor John.

 


Traduzido por: Josaías Cardoso Ribeiro Jr.

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